SANTA ALBERTINA
Paulo Ribeiro Carneiro
Minha mãe era natural de Tubarão-SC.
Católica praticante, beirando o fanatismo religioso. E quando tinha que apelar para os santos e o problema era de grande magnitude rezava para Santa Albertina. Nunca tive curiosidade para saber quem era essa santa entre tantas outras às quais minha mãe recorria.
Mas, um artigo do escritor Deonísio da Silva, no JB, me despertou a curiosidade desprezada nos tempos de adolescente. E relato o resultado do meu despertar:
Está em fase final no Vaticano a canonização de Albertina Berkenbrock – o Decreto de Beatificação já foi sacramentado pelo Papa Bento XVI em dezembro de 2006 – que, se confirmada, será a primeira santa 100% brasileira. Santa Paulina, já canonizada, não era brasileira, apesar de ter vivido muito tempo no Brasil. Ela nasceu na Itália.
Albertina nasceu em 1919 em Santa Catarina na comunidade de São Luís, diocese de Tubarão (terra da minha mãe) e morreu virgem em 1931 aos 12 anos. Albertina aparentava mais idade, era linda, alta, loura de olhos verdes e forte, acostumada aos duros trabalhos da roça. Esses predicados levaram o empregado da fazenda, Maneco, a cobiçá-la.
Rejeitado partiu para violência. E inesperadamente encontrou forte resistência da menina que o repeliu com vigor. Maneco desesperado após uma luta que o frustrou cortou o pescoço de Albertina como vingança por não conseguir o seu intento.
A repercussão do fato transformou Albertina em uma verdadeira mártir por sua religiosidade, manifestada desde a tenra idade e que pode ser expressa pelo seu comentário após a primeira comunhão: “Foi o dia mais belo da minha vida”.
Por causa dessa religiosidade, da fama pelo seu martírio e de milagres obtidos por quem implorava sua proteção ou socorro, as romarias ao local da tragédia e ao seu tumulo tornaram-se cada vez mais frequentes, numerosas e continuam até hoje, mais de 70 anos após seu assassínio.
Foi então iniciado processo de beatificação e canonização da Serva de Deus Albertina que está chegando à fase final.
Um fato que chamou minha atenção foram os santinhos. Um deles, reproduzido de um quadro de seu professor, Hugo Berndt, desertor do exército alemão que se escondeu em São Luis, mostra uma bela menina mais para top model do que para santa. Obviamente, o Papa Bento XVI vetou o retrato e aprovou uma imagem mais “santa” (mas de olhos azuis). Montbläät - Um Jornal Para Entender o Brasil Rio de Janeiro, 3 de abril de 2009 Ano V - Edição Nº 330
Autor:Paulo Ribeiro Carneiro
Créditos:Luiz Affonso
Fonte:www.montblaat.com.br
Data:03/04/2009
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