Rui Daher

ATÉ BREVE


Brincando com as pesquisas
 
 
Podem ir em frente com a leitura.
 
Não há risco de que nas linhas abaixo eu procure desvendar contradições ou preconceitos naquelas que dão conta da queda de aprovação de Lula, aqui tratado como Molusco e Senhor Da Silva.
 
Refiro-me à divulgação de pesquisa recente, de uma universidade japonesa, que concluiu terem os homens casados tendência maior do que solteiros para contraírem doenças cardíacas. 
 
Responsabilidades e cuidados com mulher e filhos, repercussões mais contundentes em caso de desemprego, barulho, muita movimentação na casa, contribuem para um maior desgaste coronariano.
 
Outro estudo, este realizado há cerca de cinco anos nas universidades de Pittsburgh e NYC, nos EUA, com 11 mil homens entre 35 e 57 anos e fatores de risco para doenças cardíacas, apontou o casamento estável como um grande protetor do coração.
 
Divorciados ou homens que se separaram durante a realização das pesquisas apresentaram risco de morte 37% maior do que aqueles que se mantiveram casados.
 
Diante da contradição, quando você tiver que decidir pelo casamento ou, mais tarde, pela separação, consulte antes o cardiologista.
 
Você pode obter uma ótima justificativa para uma ou outra decisão.
 
 
“Agora falando sério” (Chico Buarque, 1969)
 
Não se trata apenas de uma crise econômica mundial o que vivemos no momento, e sim de ruptura irreversível das posições hegemônicas patrocinadas pelo capitalismo do pós-guerra.
 
Não, não veremos a queda do sistema, nem mesmo a volta da sua dualidade com o socialismo, viés que vigorou até meados da segunda metade do século passado.
 
Mas, enquanto não forem sacados de suas cartucheiras os arsenais de destruição em massa, o capitalismo ocidental cederá parcelas enormes dessa hegemonia a países que, até agora, foram usados como quintais de suas demandas internas.
 
Quando, em 2007, surgiram os primeiros sinais de que a crise nos mercados imobiliário e financeiro dos EUA era profunda, as opiniões dos analistas se dividiram quanto a suas repercussões na economia real.
 
Grande parte anunciava um desastre geral, poucos acreditavam na tese do “descolamento”.
 
Pois bem, as notícias que nos chegam diariamente nas páginas das folhas e nas telas que nos monitoram fazem parece tudo ter vindo abaixo.
 
O pensamento predominante é de que a crise se alastrou e grudou na economia de todo o planeta.
 
Não é o que penso.
 
Há uma diferença abissal entre os desempenhos atuais e futuros dos países centrais e dos periféricos, sobretudo nas economias emergentes.
 
O Brasil incluído.
 
Teria sido muito ingênuo imaginar descolamento como manutenção do crescimento às mesmas taxas dos últimos cinco anos.
 
Era óbvio enxergar uma desaceleração em países que, embora com menor intensidade, também estavam enredados nas teias e truques da globalização e das injustas regras do comércio internacional.
 
Todos estão sendo afetados, mas para ressurgirem, em talvez menos de três anos, com posições muito
 
mais sólidas do que as que tiveram até agora.
 
 
Abraço a todos
 
 
 
Evitei até aqui escrever sobre esta última edição do Montbläat.
 
Assim não a considero.
 
Tenho certeza de que, em breve, nos encontraremos com o amigo e editor Fritz, em um novo projeto seu. Não é possível que este país esteja tão ruim que não haja espaço para um trabalho independente, honesto, democrático e talentoso.
 
Se acaso meus poucos leitores sentirem alguma saudade, estou todas as quartas-feiras no Portal Terra, escrevendo sobre agronegócios: 
 
Ah, e como lhes desejo paz e felicidade, não se esqueçam: TV sem som é um prazer indispensável. m
 
 
 
 
Montbläät - Um Jornal Para Entender o Brasil
Rio de Janeiro, 3 de abril de 2009
Ano V - Edição Nº 330

Autor:Rui Daher

Créditos:Luiz Affonso

Fonte:www.montblaat.com.br

Data:03/04/2009

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