Na foto dos chefes de Estado em torno da rainha Elizabeth, vejo Lula à esquerda da soberana inglesa.
À direita, Gordon Brown.
Me pergunto por que critérios nosso ex-metalúrgico mereceu, entre tantos outros dirigentes de países importantes, o privilégio de sentar-se ao lado da rainha.
E não nego que é um grande prazer ver o ex-operário brasileiro à esquerda da soberana, a sorrir descontraído como quem sabe que para chegar ali percorreu um longo e difícil caminho.
O futuro dirá se seu legado foi positivo, como querem seus defensores ou medíocre, como preferem seus detratores.
Sem interesses eleitorais, que poluem o noticiário da imprensa brasileira, a imprensa francesa sempre trata com respeito e equilíbrio o nosso presidente, que assinou um longo artigo no Le Monde de terça-feira, 31 de março cujo título era:
“Para além da recessão, estamos diante de uma crise de civilização – Salvar os bancos é urgente, estimular a produção é mais ainda”.
No governo do presidente Lula não houve uma privatização sequer e muitos brasileiros, milhões, passaram a se alimentar melhor e tiveram acesso a uma vida mais digna.
Sem contar muitos outros aspectos de sua gestão, isso vai pesar na balança quando historiadores isentos examinarem seus dois mandatos.
Um paraíso (fiscal ) chamado Jersey
Jersey, uma ilha de lindas praias e falésias entre a França e a Grã-Bretanha, pertencente à coroa britânica, é um conhecido paraíso fiscal.
Com apenas 91 mil habitantes, Jersey abriga 50 bancos do mundo inteiro.
Esse pequeno território tem duas línguas oficiais, o inglês e o francês, e acolheu como exilado o poeta Victor Hugo, com problemas políticos na França.
Leio num jornal que um morador endinheirado da ilha, o inglês David Gainsborough Roberts, organiza uma exposição rara.
O solteirão de 65 anos coleciona vestidos, maiôs e luvas usadas por sua musa, Marilyn Monroe, além de fotos e cartões postais escritos pela star.
Mister Gainsborough Roberts resolveu fazer uma exposição digna dos grandes museus internacionais na sua pequena ilha, “para mostrar essas raridades sem ter que viajar”.
Entre as peças, estão o vestido preto de Quanto mais quente melhor, as luvas de O pecado mora ao lado e os brincos de Como agarrar um milionário.
O excêntrico inglês também coleciona objetos ligados a Bonnie and Clyde e Al Capone.
A exposição Marilyn Monroe vai até dezembro de 2009 e é um bom pretexto para visitar Jersey, onde nem tudo é lavagem de dinheiro.
Papagaio nazista
Uma das melhores histórias do número especial de comemoração dos 60 anos de Paris Match é a do papagaio Lora, morador do Zoo de Munique, publicada no número 2 da revista, em 1949.
A Alemanha vivia anos difíceis e não sabia o que fazer para apagar vestígios do nazismo que o papagaio de Munique tinha conservado.
Quando alguém se aproximava, ele fazia sempre a mesma saudação: “Heil Hitler Kamerad”.
Nos dias de grande movimentação, o diretor do zoológico tinha que mandar esconder Lora para evitar incidentes!
Um dia, para alívio geral, Lora sucumbiu a uma doença.
Foi-se o último alemão a fazer, sem nenhuma censura, a saudação nazista.
Depois viriam os grupos neonazistas.
Mas isso é uma outra história.
Onde você está?
Que frase resumiria os anos 2000?
O escritor Florian Zeller escreve que nada é mais típico do novo século que a frase: “Onde você está?”
A invenção do celular tornou essa pergunta praticamente a primeira frase de quase todas as conversas telefônicas.
Antes do celular, ela não fazia nenhum sentido, todo mundo sabia onde se encontrava o interlocutor: preso a um local conhecido, do outro lado do fio.
A partir daí, Zeller constata que o celular é o acontecimento mais importante dos últimos dez anos, revolucionando totalmente as relações, multiplicando as possibilidades de encontros, amorosos ou não, fazendo com que uma pessoa sem celular pareça alguém que se recusa a entrar no século XXI.
Montbläät - Um Jornal Para Entender o Brasil
Rio de Janeiro, 3 de abril de 2009
Ano V - Edição Nº 330
Autor:Leneide Duarte Plon
Créditos:Luiz Affonso
Fonte:www.montblaat.com.br
Data:03/04/2009
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