Você seria capaz de imaginar – caro leitor – que a poderosa Nokia, hoje a maior fabricante do mundo de aparelhos de telefonia móvel, poderia rapidamente perder esta posição e até mesmo desaparecer do mapa econômico mundial?
Se não, tente lembrar histórias recentíssimas e melancólicas de monumentais desastres corporativos.
Algumas – como Citibank e General Motors – estão nos jornais.
Outras, como da Lehman Brothers, parecem pertencer ao passado distante.
Um passado que inclui, para os que têm um pouco mais de idade, a poderosa Pan Am (que estava no filme 2001 uma Odisséia no Espaço, transportando passageiros para a Lua), a “nossa” Varig, os Diários Associados, a MPM Propaganda – para citar rapidamente e só de memória...
Esta macroreflexão surgiu-me de um episódio absolutamente cotidiano e quase sem-importancia, do qual eu mesmo fui protagonista, como consumidor e observador permanente dos fenômenos do mercado, nas minhas funções de colunista deste Caderno.
Sou dos primeiros usuários do iPhone, da Apple – um pouco pela minha resistência pessoal ao monopólio da Microsoft (ela também não é eterna) – pois também entrei na era da informática através da compra de um Mac Classic, nos anos 90...
Embora ainda longe da perfeição, o iPhone já é o objeto mais próximo do que, há pouco, existia apenas como conceito: o UPD, universal portable device – ou seja, um único aparelho que o cidadão carrega consigo para atender a múltiplas necessidades (idealmente, a todas). (*)
O produto é fininho (bom), mas liso como uma enguia – e eu o deixei cair dentro da pia cheia de água...
Com isso – e através de uma gentileza da minha operadora de telefonia – emprestaram-me um Nokia N95 para usar enquanto o meu iPhone ia para sua UTI mecânica.
Parece tratar-se do utensílio mais aperfeiçoado da marca.
Só que foi imenso, o meu sofrimento, como usuário, mesmo que apenas por um mês.
O espaço não permite entrar em muitos detalhes.
Mas cada vez que eu o abria, ele rosnava para mim – em inglês – que não estava conectado corretamente, mas não propunha opções.
Os menus não ofereciam as opções básicas de telefone celular (!) ou relógio.
Tive de descobrir que o relógio era um aplicativo e não uma ferramenta (tools).
Sobre o uso do celular, recorri a uma colega (bem) mais jovem, que me explicou que tinha de pressionar o botaozinho verde.
– Todo mundo sabe que é o controle do telefone, disse-me.
E passei, literalmente horas, tentando descobrir onde estava o GPS, que é acoplado ao link da Google.
Às vezes acertava, mas depois de ter chegado ao destino por meus próprios meios...
Mandei um e-mail para a empresa, comunicando o meu desagrado e sugerindo que prestem mais atenção ao iPhone.
Responderam-me agradecendo e informando que seus clientes parecem estar satisfeitos.
Este pode ser o problema.
Tudo considerado – e pouco modestamente – aquele meu alerta pode valer, para a Nokia, alguns milhões de dólares. O futuro (próximo) dirá.
(*) N.R. Em matéria de “múltiplas necessidades” ainda não inventaram o celular-barbeador.
Montbläät - Um Jornal Para Entender o Brasil
Rio de Janeiro, 3 de abril de 2009
Ano V - Edição Nº 330
Autor:J.R Whitaker Penteado
Créditos:Luiz Affonso
Fonte:www.montblaat.com.br
Data:03/04/2009
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